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Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação de Goiás

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O que aprendi com Bowie sobre gestão de negócios

Por Martin Haag

David Bowie foi meu grande mestre da convergência entre razão e emoção. Com seu trabalho, produzia demonstrações claras de como isso pode acontecer - na prática de sua arte, ou, enfim, no seu próprio negócio.

Como praticante de marketing - de produto, propaganda, e serviços -, aprendi que a vida real funciona no equilíbrio entre uma coisa controlável, que chamamos de "técnica", e uma outra coisa bem menos ponderável, que chamamos de "intuição". Também podemos dizer que é preciso conciliar "ciência" e "arte", ou "razão" e "emoção".

David Bowie foi meu grande mestre da convergência desses planos. Com seu trabalho, produzia demonstrações claras de como isso pode acontecer - na prática de sua arte, ou, enfim, no seu próprio negócio.

A seguir, 5 lições que extraí do trabalho de Bowie, e que se aplicam perfeitamente para a prática dos negócios:

1 - Destruir os limites é liberar energia criativa.

Fomos obrigados a distribuir todo o conhecimento em disciplinas sem comunicação entre si. Isso é muito ruim. Por trás das diferentes práticas, e conhecimentos, existe uma única vontade, uma única direção humana. Perdemos tempo e energia se primeiramente construímos uma grande biblioteca de compartimentos especializados, para então colocar em pé um grande projeto. Nos tornamos ágeis, e eficientes, se tivermos na base uma grande intenção. A partir daí, especializamos os métodos, em torno de uma grande vontade. Dessa forma, Bowie praticou a quebra das fronteiras entre as artes. Ao invés de fazer música com artes plásticas, com cinema, com dança, Bowie apontava para um objetivo, e tudo ganhava forma, organicamente.

Negócios poderosos nascem de uma forte intenção. Não adianta apenas somar disciplinas. Um negócio gera soluções, com leveza, se tiver no centro uma intenção clara.

2 - Reconhecer que a vida é feita de ciclos

O Camaleão Bowie não ganhou este apelido pela falta de personalidade. Pelo contrário, seu trabalho repousava sobre uma base muito sólida, a experimentação com a renovação. O que deu caráter ao seu trabalho foi a ideia de que somente encontramos o sentido de uma realidade ao nos envolvermos profundamente com ela. Dave Bowie foi sempre até as últimas consequências, até a própria extinção do que havia criado. Isso o tornava muito poderoso para trazer novas propostas cheias de energia. Ao entender que estamos sempre dentro de processos cíclicos, soube se posicionar corretamente em relação a cada um deles, como extrair o máximo de valor, mesmo no declínio, ou dar um empurrão preciso para que começasse algo novo.

Negócios são uma arte de tempo - timming. Não basta planejar um ciclo. É preciso desenvolver intimidade com os segredos das entradas e saídas, da aceleração, do ponto de esgotamento, ou da formação de um vazio. O executivo de negócios torna-se um especialista em observar os ciclos que se formam e os ciclos que se esgotam.

3 - Estar aberto para os públicos

Bowie tinha perfeita consciência de sua atividade. Sabia que seu trabalho dependia da audiência. Isso não apenas no sentido comercial, mas na própria captação do sentido. Sem abertura para o que as pessoas sentiam e como recebiam seu trabalho, não poderia aprender como isso tudo funciona. O trabalho de artista estava conectado com a realidade em que seu produto era consumido. Ser artista não é apenas fazer a obra, mas estar conectado com todas as dimensões em que a obra ganha sentido, desde o ciclo de um dia de vida, até o entendiimento das grandes estruturas nas as pessoas esão inseridas, como política, e economia.

Negócios são uma arte de entender pessoas. Não basta cumprir a tarefa. É fundamental ir para o outro lado do balcão, andar pelas lojas, conhecer detalhes do uso dos produtos, entender porque gostam do que prometemos e entregamos.

4 - Negócios também necessitam reflexão

David Bowie trabalhou muito para executar cada um de seus projetos. Mas também dedicou muito tempo em refletir sobre eles. Mudou de cidades, conheceu pessoas em todo o mundo. Leu os livros de grandes pensadores, estudou os grandes pintores. Seu trabalho precisava dialogar com outros grandes mestres. E fez de forma consistente. Além de realizar seu trabalho, sabia analisá-lo, e tinha muito o que dizer sobre isso. Isso o ajudou a construir reputação, e a tornar seus projetos cada vez mais consistentes. David Bowie vivia em constante auto-análise.

Negócios geram mais valor quando são diferenciados. A diferenciação é resultado de muito auto-conhecimento, de saber o que outros já fizeram, o que realmente podemos entregar em níveis superiores. Mesmo de épocas anteriores, podemos extrair bons exemplos para aplicar hoje em dia.

5 - É preciso saber morrer

A todo momento, há ciclos chegando ao seu fim. Isso não é nem ruim nem bom. Simplesmente, é assim. O último trabalho de Bowie mais uma vez apresentou seu grande gênio: sua morte também poderia ser pensada como um projeto. O artista não se desesperou, mas fez o melhor que poderia fazer: lembrar a todos que um dia também morreremos.

Equipes se desfazem, o poder de compra dos clientes cai, a tecnologia fica obsoleta, mensagens deixam de persuadir. Os negócios que não sabem lidar com o fim, não saberão se renovar. Não se apegue. Recrie, viva o presente, encontre-se com o que está acontecendo agora. Não deixe de agir. Viva seu negócio.

Fonte:www.administradores.com.br