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Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação de Goiás

Conferência Internacional Espectro

ESC2

 

Durante os dias 26 a 28 de novembro acontecerá na PUC-Rio a Conferência Internacional Espectro, Sociedade e Comunicação 2 (ESC2). O foco do evento será o futuro Sistema Brasileiro de Radio Digital (SBRD) e as possibilidades de interatividade desse meio. O evento inclui sessões de apresentação de artigos, oficinas práticas de rádio digital e mesas de debate. 

A Conferência acontece em um contexto de discussões fundamentais para o futuro do rádio no Brasil. O momento é de construção do SBRD e o ponto central é a escolha por um padrão técnico. Uma escolha entre o sistema Digital Radio Mondiale (DRM), desenvolvido por um consórcio aberto com membros de todo globo, e o sistema HD Radio, propriedade de uma empresa estadunidense. Diante desse panorama, o ESC2 reúne pesquisadores do Brasil e da Europa buscando, por meio das experiencias trazidas pelos participantes, fomentar as discussões em torno do desenvolvimento e regulamentação do SBRD. 

A exemplo que aconteceu com o processo de adoção da TV digital, a implementação do sistema digital de rádio trará novas possibilidades para o meio radiofônico no país. A digitalização do sistema otimizará a ocupação do espectro eletromagnético, permitindo o aumento do número de emissoras, além da possibilidade da multiprogramação e da interatividade para o ouvinte. O Brasil já adotou para a TV digital o Ginga, uma sistema 100% nacional que permite a transmissão e execução de aplicativos interativos no receptor. A Conferência contará com palestras e oficinas de pesquisadores da PUC-Rio especialistas em Ginga, que irão discutir as possibilidades de interatividade para o rádio digital brasileiro. 

Ou seja, assim como na TV digital, a implementação do sistema digital irá trazer para o meio do rádio várias funcionalidades já conhecidas pelo ouvinte na internet. É por isso que não se deve confundir rádio digital com webrádio, que são transmissões, ao vivo ou não, de programas sonoros pela internet. A diferença fundamental entre webrádio e rádio digital está no meio de transmissão. As webrádios funcionam na internet, na estrutura de cabos óticos e telefônicos, propriedade de empresas de comunicação. Já o rádio digital continuará funcionando por meio de ondas eletromagnéticas, emitidas e captadas no espectro radioelétrico, bem comum dos cidadãos. O rádio digital é uma evolução do rádio como conhecemos. 

Esse assunto ganha ainda mais relevância diante do cenário legal que propicia. Atualmente discussões sobre as novas possibilidades de regulamentação são intensas tanto no Brasil como em outros países da América Latina. Na Argentina, por exemplo acaba de ser aprovada a Lei de Mídia que limita as propriedades cruzadas de meios de comunicação por grandes conglomerados de mídia. Recentemente o Governo Federal brasileiro decretou a migração das rádios AM para FM, aumentando a ocupação dessa faixa de frequência. Um projeto de lei de iniciativa popular da comunicação social eletrônica, conhecido como "Lei da Mídia Democrática", está em plena discussão nas Comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, Cultura e Educação do Congresso Nacional. Tal projeto propõe uma nova lei geral de comunicação buscando garantir mecanismos democráticos de regulamentação dos meios. Junto com a proposta do Marco Civil da Internet, esses projetos constituem início de amadurecimento nessa área no Brasil, que ainda está em uma estágio muito atrasado. 

A inscrição para o evento poderá ser feita na hora (20 reais), e a programação está disponível no site: https://www.conferences.telemidia.puc-rio.br/esc2013/doku.php?id=programacao