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Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação de Goiás

Maior feira de televisão do mundo escancara renovação de conteúdos em espanhol na América Latina

Por Renan Vieira 

Maior Feira De Televisão Do Mundo Escancara Renovação De Conteúdos Em Espanhol Na América Latina

Com o aumento da concorrência e a necessidade de realizar cada vez mais produções locais, as maiores empresas de televisão da América Latina apostam exponencialmente na diversificação. A ideia é oferecer um leque maior de produtos e, então, abocanhar uma fatia de um mercado em plena transformação. As telenovelas continuam a ser a opção número um da audiência, mas a aplicação de novos conceitos de produção ganhou força nos últimos tempos e as casas produtoras já perceberam essa realidade. 

A maior feira do mundo voltada para o mercado de televisão, a Mipcom, já deu seu recado em 2016. Os players que não saírem da zona de conforto vão ficar para trás. As empresas estão preocupadas porque o mercado pede muito mais que um folhetim clássico dublado, por exemplo. Agora, é preciso modificar o formato: acelerar a narrativa, investir em alta qualidade técnica, diminuir o número de episódios e contar estórias mais realistas.  

O crescimento do consumo aliado à era on demand e, ainda, a multiplicação da oferta no continente tornaram os consumidores locais mais exigentes. A expectativa para a maioria dos produtores é de que, ao menos, haja elevação na coprodução de conteúdo, seja ele dramatúrgico ou de concurso. O importante é adicionar tempero local, principalmente, nos mercados mais importantes.  

A Colômbia, maior produtora de dramas da América do Sul, reúne em seu território importantes fornecedores internacionais, com infraestrutura capaz de produzir para o mercado interno e externo. Sob um amplo histórico de realização de telenovelas e séries no país, a Sony Pictures Television vê na teledramaturgia seu principal caminho no continente. Há mais de dez produções em andamento na Colômbia e no México, atualmente. 

Ao explicar o motivo da aposta forte na região, a diretora-geral da Sony para conteúdo em espanhol, Angélica Guerra, afirmou em entrevista à revista TTTque as emissoras latino-americanas estão abrindo suas portas para as ideias inovadoras dos produtores independentes. Ela destacou, também, que a televisão por assinatura passou a necessitar de produção nacional na grade. "As novas plataformas multiplicaram a demanda por conteúdo local em espanhol, assim como novos gêneros e formatos", completou. 

Já para a TV Azteca, naturalmente deve-se olhar para o mercado hispânico norte-americano. O conselheiro do grupo mexicano, Joshua Mintz, afirmou que os produtos para a televisão em espanhol americana começaram a mexer significativamente com o setor. As redes inovaram com formatos de teledramaturgia ao passo que perceberam uma audiência volátil, segundo ele. Mintz passou um período na Telemundo e, agora, se diz pronto para reinventar o que será realizado na televisão mexicana. 

"Eu não acho que narrativas sobre traficantes sejam inovadoras. Eu penso que a inovação vem de certas estórias que coincidentemente são direcionadas para o tema, mas elas têm um alto padrão de qualidade. Essas estórias são filmadas em locações com cenas de ação e uma incrível qualidade visual", explicou Mintz, que verá em um dos canais da Azteca a versão mexicana de 'Rosário Tijeras'. 

A necessidade por conteúdo novo está mexendo com o maior e mais tradicional player da América Latina. A Televisa, reconhecida internacionalmente por suas telenovelas, levou para a Mipcom o portfólio mais ousado da sua história. A aposta é na cessão de formatos originalmente criados por sua equipe no México. A ideia é apresentar produtos variados que vão desde programas de talentos, passam por game shows e chegam a sitcoms. 

"A divisão de formatos de entretenimento global se tornou uma área muito importante para a Televisa. A empresa permite que nos posicionemos de uma maneira agressiva, colaborativa e engenhosa. Nós estamos pensando nas melhores maneiras de trazer soluções para nossos parceiros e clientes ao redor do mundo", explicou o diretor do departamento, Ricardo Ehrsam. 

Para não perder mercado, a NBCUniversal Telemundo Enterprises já anunciou o lançamento da Telemundo International Studios, com o objetivo de criar produtos para o mercado internacional, especialmente. Com isso, o grupo poderá ainda arquitetar produções que atendam às necessidades das novas plataformas digitais. O principal canal do grupo, o Telemundo, recentemente obteve a liderança do horário nobre da televisão em espanhol dos Estados Unidos com as chamadas superseries, uma aposta da rede.

Com uma oferta menos diversificada, porém, não menos inovadora, a RCN Televisión quer mesmo é vender teledramaturgia. Boa teledramaturgia. O canal foi à Mipcom com produtos de destaque da televisão colombiana. As bionovelas de sucesso 'Lady, la vendedora de flores e 'Celia' compõem o portfólio do grupo, que vende principalmente para a América Latina. Contudo, a RCN quer mais, quer ir além dos tradicionais mercados consumidores de produtos colombianos. 

"A diversidade do nosso catálogo e nossas produções de sucesso nos permitem alcançar diferentes emissoras de muitos territórios, compartilhando nosso sucesso nacional com uma audiência internacional", ressaltou a diretora de vendas internacionais María Lucía Hernández. Ainda de acordo com ela, muitos produtos de sucesso de outras temporadas ainda são requisitados na América Latina, tais como 'Café com Aroma de Mulher'. 

A Mipcom acontece em Cannes, na França, de 17 a 20 de outubro, neste ano. A expectativa é de que cerca de 14 mil executivos, de 2 mil expositores e 4,8 mil compradores circulem pelo evento.

*Renan Vieira é jornalista, trabalhou com mídia online e noticiário local. Acompanha para o Blog do Vannucci as novidades das telenovelas e outras produções de TV mundo afora. As publicações ocorrem às segundas-feiras, na editoria Mundo.