Sindicom Facebook Twitter YouTube

Sindicato dos Trabalhadores em Comunicação de Goiás

Parceiros da Globo em Supermax, espanhóis veem coprodução como caminho mais seguro para a indústria

Renan Vieira

205520_1d 4a 2c 1290964b 4382a 65079b 3dee 08d -mv 2_d _2362_1576_s _2

Voltado principalmente para as telenovelas quando se fala em teledramaturgia, o público brasileiro de televisão aberta ainda não teve a oportunidade de acompanhar as mais recentes histórias para a TV da Espanha. Sim, por lá também há melodramas, mas o que é de agrado do grande público vai além da mocinha pobre que se apaixona pelo galã rico. 

As séries - não todas, mas a maioria - produzidas no país priorizam uma grande história. Às vezes, elas ganham proporções épicas. Formatadas para exibição de uma hora e meia no prime time, essas produções podem ser também contemporâneas e tratar de temas fortes. Uma delas, pelo menos, já foi reproduzida em inglês nos Estados Unidos.  

Algumas das tramas rodadas na Espanha são remakes, inclusive, de telenovelas latino-americanas. Este é o caso de 'Gavilanes', uma série adaptada de um original da Colômbia. Porém, vale ressaltar que a trama foi inteiramente formatada para o gosto da audiência espanhola, que é avessa ao folhetim clássico no horário nobre, em geral. 

O modelo de negócio dos dramas espanhóis para a televisão é semelhante ao formato português para telenovelas. Uma rede de TV entrega o roteiro a uma produtora que se encarrega de entregá-lo finalizado. Assim, o mercado audiovisual para ficção na Espanha é composto por centenas de empresas de produção, criação e distribuição.

Essa atenção - inclusive, financeira - dada à teledramaturgia acarreta qualidade de padrão internacional às produções espanholas. Com isso, o mercado doméstico se tornou pequeno e os produtos entraram em um processo de globalização por meio das feiras internacionais de televisão. Naturalmente, a Europa é o mercado prioritário para os espanhóis. 

A Itália é um desses importantes clientes: "Encontramos um mercado muito parecido com espanhol, porque as séries que fazem sucesso na Espanha, fazem sucesso lá também", explicaram à imprensa espanhola os representantes da Atresmedia, um dos mais importantes grupos de comunicação. 

"Nossa meta em vendas internacionais é que as séries cheguem a tantos espectadores quanto seja possível fora de nossas fronteiras", afirmaram. E completaram ainda ressaltando que, assim como no México, na Itália, foi realizada uma versão local de 'Gran Hotel', exibida no Brasil pelos canais Globosat. 

A adaptação de 'Gran Hotel' mostra que, apesar da qualidade técnica e artística do produto espanhol, os produtores já enxergam como caminho certo a coprodução de seus conteúdos. Atualmente, o grupo Mediaset realiza, em conjunto com a Globo e outras casas produtoras e emissoras de televisão, a série 'Supermax'. Uma versão totalmente gravada em espanhol. 

"Sem dúvida, [o caminho a se seguir é] o de coproduções internacionais de companhias sólidas, cujas histórias tenham um atrativo internacional. Por outro lado, a aparição de operadores globais como o Netflix e a Amazon está contribuindo para elaborar novos esquemas de financiamentos nunca antes pensados", revelou o responsável pelos produtos do Grupo Mediapro, Javier Mendéz.

O fato é que coproduzir se tornou a mais financeiramente saudável opção para quem é global fora do Reino Unido e dos Estados Unidos em inglês. Os produtores, não só espanhóis, veem com atenção a diminuição dos investimentos em ficção, nos últimos anos, com a crise econômica internacional. Para reduzir custos de produção, a mais salutar alternativa é reunir parceiros, manter o alto padrão artístico e técnico e, então, minimizar a possibilidade de perdas catastróficas.